Opinião • Postado em 14-11-2018

Um ano de Reforma Trabalhista: e ai?

Ederaldo Lima

/ Divulgação assessoria

Lá se vão 365 dias desde que entrou em vigor a Lei 13.467/2017, que reformou 54 artigos, revogou 09 artigos e criou 43 novos, isto em relação à antiga Lei 5.452/1943, a famosa “Reforma Trabalhista” trouxe um novo cenário para as relações de trabalho, seja qual for o ponto de vista, as mudanças aconteceram.

Um dos pontos mais emblemáticos, os sindicatos foram prejudicados para alguns e ajustados para outros, fato é que os mesmos perderam em arrecadação neste ano algo em torno de 86%, enquanto de Janeiro a Setembro de 2017 os mesmos arrecadaram R$ 1,9 bilhão, em 2018 neste mesmo período a arrecadação despencou para R$ 276 milhões. Isto traz um reflexo muito grande nas disputas salariais e também na representação desde a base até as centrais sindicais, pois há uma perda quase que total de poder.

As ações trabalhistas diminuíram em quase 40%, atingindo um patamar de 36% segundo relatórios do Tribunal Superior do Trabalho (TST), é perceptível no relatório do TST que em todos os meses pós reforma o número de novas ações são menores que em 2018, isto muito refere-se ao medo do trabalhador quanto aos honorários de sucumbências e também a preocupação e o fato de que mover uma ação trabalhista hoje já não é mais como antes, “vou entrar e se ganhar, ganhou”, este pensamento com a reforma trabalhista, foi deixado de lado, pois trouxe responsabilidade ao trabalhador.

Um dado importante da reforma trabalhista é o acordo legal, este que na legislação anterior não existia e que foi uma das grandes novidades junto as mudanças que estão no mercado de trabalho, de acordo com o TST, proporcionou no total até outubro de 2018 125.621 desligamentos negociados por esta ferramenta. É muito pouco ainda, representa somente 2% dos desligamentos do país, mas já demonstra uma flexibilidade maior para decidir o fim do vínculo empregatício entre empregador e empregado, quando ambas as partes tem interesse no desligamento.

Um passo importante também é a Instrução Normativa 41 do Tribunal Superior do Trabalho, que normatizou as formas de julgamento do pós reforma, trouxe mais clareza aos tribunais e orientação de como os juízes devem se comportar perante os processos trabalhistas. Isto, visando celeridade, tratando sobre honorários e sobre a responsabilidade da testemunha perante os processos trabalhistas e as multas aplicáveis em caso de pontos controvertidos em seu testemunho.

A reforma trabalhista está posta, há muitos questionamentos em torno de sua aplicação e sua constitucionalidade, inclusive dentro dos próprios tribunais, entendimentos diferentes e interpretações também. Mas, após 01 ano da reforma as coisas estão mais tranquilas, já se buscam outros meios de preencher as lacunas deixadas, e também de se criarem mais oportunidades.

Por fim, é fato citar que a reforma trabalhista não gerou mais empregos, tínhamos uma taxa de desemprego em setembro de 2017 de 12,4% e no mesmo período de 2018 de 11,9%, segundo dados do IBGE.

Um novo mundo no mercado de trabalho se criou a partir de 11 de novembro de 2017, muitas mudanças ainda estão por vir, o mercado de trabalho aguça por profissionais mais completos e com entendimento de uma existência total. A reforma buscou isto, trazer mais clareza, que possamos entender este novo cenário e abrir as portas para uma mudança radical nas relações de emprego e na economia do país, precisamos avançar.

Ederaldo Lima - Professor da UFMT, Mestre em Ciências Contábeis e Membro Associado do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

Deixe seu comentário

O MT Mais Notícias não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais à terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluidos.

Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido, valorize esse espaço democrático.
Agradecemos a participação!

Seja o primeiro a comentar essa postagem!