Opinião • Postado em 29-11-2018

Ser idoso pode ser uma concepção relativa

Gilson Nunes

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Parece estranho, mas dizer que o idoso é idoso porque ele é velho, passou da idade, saiu desse mundo, ficou caduco, entre outros rótulos absurdos, não pode e nem é a verdade. Quem passa da adolescência para a vida adulta, aonde uma nova concepção de mentalidade nasce, reconstrói o comportamento individual, o indivíduo se auto revela para uma nova visão de mundo e, o que é mais importante, adquire outros sonhos que não compactuam a ilusão.

Todos sabem que a vida é curta, mas nem por isso ela é engraçada. Certa vez um mestre, a quem tenho admiração, disse-me que o grande problema do ser humano a partir dos 60 anos, é que ele pensa que já adquiriu toda a experiência necessária e que a partir daí, vai ter uma vida mais tranquilo. Não obstante, segundo o meu mestre, esse idoso se engana, pois é a partir desse período que ele começa a esquecer o que aprendeu. Caramba, e daí? Será que é verdade mesmo? Nem tanto mestre, nem tanto. A teoria pode ser um pouco verdadeira, mas a realidade nem tanto.  

Ninguém pode negar que as funções físicas do idoso, com o tempo, tendem a declinar-se. É claro que nem todas as suas funções vão ser ou ter a mesma virilidade, a mesma agilidade, o mesmo desempenho (em todos os sentidos), mas, com certeza, o prazer de compartilhar sua experiência com os mais jovens, é prazeroso. A recíproca é que ele acaba revivendo o passado, e adquirindo outra experiência: ganhar a atenção dos mais jovens.

O jovem-idoso tem lá suas artimanhas das quais somente o traquejo pode definir. Uma delas, por exemplo, são as ponderações que ele faz diante dos fatos. Quanto mais dificultosos sejam os percalços, quanto mais conflitantes, o jovem-idos vai ter uma postura no mínimo emblemática. É nessa hora que ele se destaca e não se deixa cair nas mesmas armadilhas, pois a ribalta já tem o seu cenário registrado noutras épocas.

A vida a partir dos 60 tem, e deve ter, suas preocupações a considerar. A priori, a atividade física vai bem em qualquer época, porém, o bom humor e uma boa alimentação fazem a diferença. A sociedade mais jovem deve ter sempre um idoso par conversar, saber sal história, seus conceitos, a origem de seus costumes e seus valores para, então, entenderem melhor o que é o mundo, o tempo e a relação sistêmica que existe entre ambos.

Não ficar idoso pelo tempo é impossível, mas, ser idoso por consequência da libertinagem que a imaturidade impõe, torna-se um paradigma que a circunstância alimenta. Portanto, cabe ao idoso a simples tarefa de não se deixar levar pelo tempo, ignorar o cansaço do corpo e, ao mesmo tempo, conceber a si o desejo de fluir a ternura que lhe for peculiar, enquanto ser humano que ama e quer ser amado.

Gilson Nunes é jornalista – gnunes01@yahoo.com.br

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