Opinião • Postado em 24-07-2019

Questões da ferrovia

Onofre Ribeiro

/ Reprodução

No último dia 9 realizou-se em Cuiabá uma audiência pública convocada pelo deputado estadual Carlos Avalone pra discutir o projeto de extensão da ferrovia Ferronorte de Rondonópolis a Sorriso, passando por Cuiabá. Embora em Cuiabá o assunto tenha sido tratado desde sempre com um forte cunho emocional por conta da frustração da ferrovia de 1908, quando se esperava os trilhos saindo de Bauru(SP) até Cuiabá. O que se viu, no entanto, foi o desvio em Campo Grande para Corumbá(MS), por conta da percepção na guerra do Paraguai de que a fronteira Oeste e Sul do então Mato Grosso era completamente vulnerável. Desde então as relações entre o Norte e o Sul de Mato Grosso azedaram até a separação política e territorial em 1979.

 A audiência pública foi muito convergente e madura. A empresa Rumos que hoje detém a concessão da ferrovia em Mato Grosso até Rondonópolis, fez apresentação muito sóbria. Órgãos do governo federal fizeram manifestações positivas. Foi importante porque a extensão depende muito da posição da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, vinculada ao Ministério de Transportes. Ao final de uma longa audiência pública realizada no auditório da Fiemt, com expressivo público, percebeu-se convergências entre o interesse da Rumos na extensão e os de Cuiabá na ferrovia. Até porque, o que se tinha era que a capital nunca ofereceria cargas suficientes pra justificar um terminal ou ramal ferroviário. Segundo a Rumos existe um potencial de cargas de 20 milhões de toneladas-ano de carga, que complementam economicamente o projeto de extensão dos trilhos até Sorriso. Existem opções do trecho de contemplar Cuiabá.

A questão só não foi completamente definida ainda porque a Rumos depende da renovação da concessão dentro de São Paulo. O processo está neste momento no Tribunal de Contas da União, onde a empresa espera que seja liberado  nuns 30 dias pra depois ir para a autorização final na ANTT. Sem a renovação não haverá conversas sobre extensão de trilhos em Mato Grosso além de Rondonópolis.

Contudo, começa a despontar dentro dos bastidores um risco. Multinacionais dos grãos, interessadas na Ferrogrão, que está projetada de Sinop ao porto de Miritituba (PA), começou a se movimentar pra impedir a extensão que passa por Cuiabá. O motivo é simples. A Ferrogrão não teria carga bastante pra sustentá-la levando a produção de Sorriso pra cima até o porto do Norte, já que a Ferronorte levaria de Sorriso e região Sul pra baixo as cargas pro porto de Santos.

Conclusivamente: tem-se de um lado a Rumos esperando a renovação em São Paulo pra investir e aprimorar a capacidade de transportes para o Sul, além de chegar a Sorriso depois, passando por Cuiabá, e a Ferrogrão se movimentando pra garantir o seu potencial de carga pro Norte.

 O que se tem neste exato momento, são movimentações no campo político. Porém, o desejo dos trilhos passarem por Cuiabá é convergente.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso - onofreribeiro@onofreribeiro.com.br     www.onofreribeiro.com.br

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