Opinião • Postado em 11-05-2019

O preço do descaso 

Faissal Calil

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No lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Vale do Rio Cuiabá, contamos com a participação notável do Sr. Carlos Martins, ex-ministro do Meio Ambiente de Portugal. Mostrou o trabalho bem sucedido no rio que banha Lisboa, o Tejo. Iniciado em 2000, com a criação da Reserva Natural do Estuário do Tejo, o plano revive a infraestrutura e a conduta referentes à bacia. Após 12 anos e 800 milhões de euros até golfinhos voltaram a saltar naquelas águas.
Revi o ocorrido em outras regiões:
Na França os estragos foram combatidos desde 1960. O Rio Sena foi considerado despoluído em 2015 e conta com mais de duas mil estações de tratamento.
Em Londres, o Rio Tâmisa deixou de ser tido como potável em 1610. Já foram investidos 200 milhões de libras. Hoje dois barcos recolhem 30 toneladas de lixo por dia.
Percorrendo várias cidades europeias o Rio Reno consegue, após 15 bilhões de dólares, a existência de 63 espécies de peixes.
O Tietê, em São Paulo, desde 1998, luta pela improvável despoluição até 2025. Já gastou 7 bilhões e prevê mais 4 bilhões de reais.
Todos começaram como o Rio Cuiabá: lixo e pesca criminosa, preocupação com sustento em detrimento das gerações futuras, em suma, ataques à natureza de toda ordem. Já perdemos 19 afluentes...
Temos que investir agora. Depois talvez não haja dinheiro para fazer frente ao prejuízo ou ver a degradação ambiental roer a maior riqueza e o futuro da área. Leis por si só não resolvem. A fiscalização deve ser dura e permanente. Há que se conscientizar todos os cidadãos e engajarmos na batalha enquanto pode ser vencida.
Deixo à reflexão do leitor a máxima do Greenpeace: “Somente quando for cortada a última árvore, poluído o último rio, pescado o último peixe, é que o homem vai perceber que não pode comer dinheiro”.


Faissal (PV) é deputado estadual por Mato Grosso, ex-vereador por Cuiabá e advogado 


Email: faissalcalil@gmail.com

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