Opinião • Postado em 25-06-2014

DOS COXINHAS OSSOBUCO AOS PETRALAHAS

João Edisom de Souza

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Estes termos inadequados e pejorativos que expões a “luta de classes” no Brasil não são novos, mas vem acentuando a medida que cada reeleição ocorre. Usar estes termos ou outros é comum desde a implantação da mal fadada e espúria reeleição pelo então presidente FHC, ato inapropriado que o senhor Lula se beneficiou e agora a dona Dilma também busca ser beneficiária. Foram contra, mas gostaram.

Acontece que a falta de educação visível através dos xingamentos a presidente na abertura da Copa escancarou de vez tais “palavrões”, entrando em uma guerra que parece não ter fim, mas com fins eleitorais.

Estes termos não tem um conceito claro e sequer chegou ao dicionário da língua portuguesa, pelo menos aos que tem credibilidade, o que faz com que haja muitas controvérsias. Por isso vou aqui conceituar para mim e a minha maneira cada termo deste para que o leitor não tenha dúvidas do que penso:

Coxinha ossobuco: sujeito bem nascido e mal criado. Vive e sobrevive do espólio econômico da família, despolitizado e só reage quando seus interesses são atingidos. Acham-se mais capazes e superiores aos outros. Fingem não conhecer e nem conviver com a miséria humana e sublimemente impõem aos outros todas as formas de discriminação segundo seus desejos, embora se dizem sem preconceitos.

Na história do país os coxinhas ossobuco sempre mandaram e desmandaram, fizeram do poder sua casa. Nascidos na “casa grande” pensam que os moradores da “senzala” são seus eternos devedores, menção aqui a obra de Gilberto Freire. Nos últimos anos tem assistido os da “senzala” ocuparem seus espaços e isso tem o incomodado. Por exemplo: viajar de avião; inaceitável para um coxinha sentar ao lado de um pobre.

Petralha: se diz muito politizado e é metido a ser entendido de tudo, embora boa parte sequer tenha completado uma faculdade. Outros nem nelas entraram, mas se dizem saber mais que qualquer professor ou cientista. Falam de economia, de conjecturas, análises estruturais, saúde pública, educação, segurança e pesquisas embora não saiba para que lado esta apontado o nariz. Mas todos são bons quando atendem seus interesses. Quando não atendem, interpretam a sua maneira e normalmente levam uma vida despojada de “luxos”.

Na história do país estes são oriundos das revoltas com e sem causa. Mas estas pessoas têm causas próprias: o eu. Entendem democracia apenas como aquilo que atende seus propósitos. Quem pensa diferente não é democrata, são os pelegos, reacionários, “direitonas” e outros termos mais. E embora o termo petralha esteja correlacionado com a sigla PT do Partido dos Trabalhadores, posso dizer que conheço petista que não se enquadra como petralha. Da mesma forma conheço petralhas que não são petistas, segundo esta minha conceituação.

Feitas estas considerações e novamente segundo os conceitos aqui caracterizados, eu pergunto qual a relação que eles tem uns com os outros? Todas. Eles se adoram; ambos gostam de poder pelo poder, não possuem escrúpulos, mentem, instigam, corrompem, roubam e aparelham poderes. Ambos querem o poder supremo e quando há esta possibilidade não pensam duas vezes em se aliar, vide Paulo Malouf e o grupo José Dirceu, Lula e companhia, só para citar coxinhas e petralhas chefes e capas pretas.

Coxinha só vê corrupção naquilo que não o beneficia. Pensa que o mundo é seu e que nenhum mal pode atingi-lo. E se isso acontecer é por inveja da pobreza. Petralha ama o Lewandowski e odeia o Joaquim Barbosa (ministros do Supremo). Deposita dinheiro para tirar mensaleiros da prisão e posta o extrato em redes sociais. Coxinhas só querem usufruir das benesses do poder. Petralhas jamais querem sair do poder.

Mas escrevo também para dizer que quem levanta cedo, trabalha e paga impostos aos rodos, aos borbotões para sustentar este país e fazer dele uma nação, não tem nada com isso porque são a outra parte da sociedade; os que não são nem coxinhas e nem petralhas. Afinal alguém precisa trabalhar de verdade nesta terra já que coxinhas e petralhas não passam de inúteis parasitas.

João Edisom de Souza é Analista Político e Professor Universitário em Mato Grosso.

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