Opinião • Postado em 30-10-2018

Bolsonaro é o Paçoca

Jean Lucas Teixeira de Carvalho

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Foi objeto de brincadeira recente no WhatsApp um meme postado onde aparecia a foto de um vira-latas e a do candidato do PT para o segundo turno Fernando Haddad. Segundo a pesquisa sugerida pelo divertido “meme”, a pergunta era: “Se o 2º turno fosse entre o Paçoca e o Haddad, em quem você votaria?”  

Distante do Brasil mas atento, ligado, aos acontecimentos do processo eleitoral brasileiro, não pude deixar de observar e registrar que mais que a vitória do Bolsonaro nesse pleito eleitoral foi a mensagem transmitida pelas urnas à classe política brasileira.

Nas eleições de 2014, que levou ao segundo mandado de Dilma, fracassado pelo impeachment de 2016, o que me chamou a atenção não foi a pouca diferença de votos entre Dilma e Aécio, pouco mais de 3 milhões e meio de votos, mas sim o percentual de abstenções e de votos brancos e nulos daquele pleito, algo e torno de 27.44% dos eleitores registrados no TSE, quase o mesmo percentual de votos obtidos pelo candidato Haddad no primeiro turno do pleito de 2018 (29,28%).

Naquele momento, os eleitores já passavam uma mensagem de insatisfação e de que não concordavam com os acontecimentos políticos do país.

A bem da verdade, em uma conversa com um parente residente em Recife, defensor da conduta petista, sendo ele professor da universidade federal de Pernambuco, chamei a atenção por aquilo que para mim me surpreendia. As abstenções daquele pleito passavam uma mensagem solitária que não deveria ser desconsiderada.

Mas o momento era de alegria, de festa, de comemorações, os “coxinhas” tinham que “engolir” o resultado, afinal no Brasil se ganha eleições com 50% dos votos mais 1.

Mas a minha análise era despida de paixão.

Hoje essa mensagem veio às escaras, com a eleição positiva de Bolsonaro.

Nada mais democrático que a resposta das urnas, seja em favor de um ou de outro, o povo é quem decide. 

A maioria dos eleitores elegeram Jair Messias Bolsonaro como o presidente de um país com mais de 100 milhões de habitantes.

Assim como as abstenções de 2014, os votos de 2018 que elegeram Bolsonaro, passa a mensagem que o brasileiro, ao menos para aqueles que foram às urnas em sua maioria (assim é na democracia), está cansado, de saco cheio com aqueles que se colocam acima de qualquer suspeita, desconsiderando a inteligência alheia.

Vejam nem mesmo o mais otimista dos analistas políticos brasileiros, apostavam em uma mudança significativa no congresso nacional brasileiro.

Os cientistas políticos e jornalistas não acreditavam nessa possibilidade (mudança significativa do CN), reconheço, nem eu! Sou um otimista por opção, mas não acreditava, não nesse momento!

Mas a resposta das urnas demonstrou o contrário, houve sim mudanças significativas a ponto de dar ao novo presidente eleito viabilidade política de seu plano de governo. Esse era a maior dúvida. Conseguiria Jair Bolsonaro ter capacidade política de convencimento?

A resposta ainda é prematura, mas ao menos diante do cenário já existente, sim, há possibilidade. O futuro a Deus pertence, não ao menos no que depende dos políticos, mas ainda é dele esse tempo verbal.

Em que pese a discussão existente acerca da capacidade do presidente eleito em governar o País, se ele é defensor da tortura, misógino, homofóbico, xenófobo, mesmo assim os eleitores brasileiros em sua maioria, deixou claro o desejo de mudança, pouco importando a ideologia do candidato.

Isso tem que ser levado em conta. Aí sou obrigado a reconhecer, com a resposta das urnas, como na brincadeira propaladas no aplicativo de WhatsApp, não importava o candidato que iria para o segundo turno com o candidato Fernando Haddad, mas sim o desejo de mudança, de interromper o ciclo. 

Assim com o resultado das urnas, sem dúvida, diante de tudo exposto e do histórico político insignificante do candidato eleito, o Bolsonaro é o Paçoca!

Jean Lucas Teixeira de Carvalho. Advogado brasileiro residente em Lima no Peru. Especialista em Direito Processual Civil. Direito do Trabalho, Processo do Trabalho e Direito Previdenciário. Direito Eleitoral e Improbidade Administrativa, pela Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso. 

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