Opinião • Postado em 31-10-2018

Bancadas parlamentares do choro

Onofre Ribeiro

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Historicamente as bancadas eleitas pra Câmara dos Deputados e pro Senado Federal tem desejado muito a desejar no desempenho dos mandatos em relação a Mato Grosso. Estado periférico com oito deputados federais, 24 estaduais e três senadores, poucas vezes teve destaques. No final do século passado dois relevantes destaques: senador Filinto Muller o deputado federal Dante de Oliveira. No mais, passagens mornas de deputados e senadores.

Na eleição de 2018 houve importante renovação: sete deputados federais e dois senadores. Na paupérrima Assembléia Legislativa renovaram 14 dos 24 deputados estaduais. O que isso poderá representar de efetivo pro Estado?

Todos os estados federados tem 3 senadores. Já deputados federais são proporcionais à população. Mato Groso tem oito. Na prática são oito mandatos voltados pra si mesmos. Raramente tomam uma causa estadual. Vamos ao próximo exercício de 2019 a 2022. Período de intensa reconstrução do país, parlamentares terão protagonismo ou perderão inesquecível oportunidade de entraram pra história.

 O Senado, por exemplo. Eleitos Selma Arruda com mais de 678 mil votos. Jaime Campos com 490 mil. Oito anos de mandato. Um sem experiência e outro com experiência política anterior, inclusive a de já ter sido senador de 2006 a 2014. Mandato morno. Ter experiência no Congresso Nacional renovado sob a égide de um novo país saindo das cinzas, só significará alguma coisa se estiver conectado com as percepções do novo eleitor e do novo brasileiro em formação. Já Selma Arruda, eleita com base nas ações como juíza no combate a corrupção e na colagem de sua candidatura a Jair Bolsonaro, tem muito futuro. Isto é, se conseguir conectar-se com o novo papel de um senador. Ser caçadora de corruptos em Mato Grosso é currículo paroquial.

Se em Brasília a senadora colar na bancada bolsonarista e abrir mão do protagonismo de ideias e de ações efetivas, morrerá no começo do mandato. Exemplo da senadora Serys Slhessarenko (2003 a 2010). Política de carreira exemplar, deixou-se encantar pelo PT de Lula e foi engolida. Não adiantou a sua história pessoal. O próprio PT se encarregou de destruí-la. Não foram os eleitores mato-grossenses.

Aqui vai o alerta final. De fato Mato Grosso tem hoje um forte protagonismo econômico dentro da economia brasileira. Mas não adiantará nada se os parlamentares continuarem no chororô de sempre. Reclamam, reclamam e não se mobilizam coletivamente pelos interesses do Estado.

Ou se luta em conjunto tendo Mato Grosso como a causa parlamentar coletiva, ou continuaremos ouvindo esse vitimismo que nunca deu resultados. No âmbito do governo federal o que não faltam são chororôs de todos os estados. Chororô não é respeitado. Protagonismo, sim!

Concluo: os parlamentares de Mato Grosso se imponham pela força do conjunto, ou teremos perdido mais uma eleição para o Congresso Nacional. Atraso de décadas na história do Estado.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso - onofreribeiro@onofreribeiro.com.br   www.onofreribeiro.com.br

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