Opinião • Postado em 20-03-2019

Armas não matam!

João Edisom

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A tragédia que se abateu em uma escola em Suzano (SP) e o atentado às mesquitas na Nova Zelândia fizeram com que a semana terminasse sob o velho debate do desarmamento. Este texto não tem a pretensão de entrar neste debate, até porque acredito que este tipo de tragédia não tem nada a ver com armas. O debate neste caso seria porque pessoas sentem atração pelo protagonismo da tragédia.

Na história da humanidade a quantidade de atentados e massacres registrados são enormes, inclusive em períodos que sequer existia a manipulação da pólvora. O registro é riquíssimo tanto dentro da história cristã quanto dos registros pagãos. Discutir leis de armamento neste caso é desviar e deixar de tratar com seriedade o assunto.

Em Nataruk, perto do Lago Turkana, no Quênia, a equipe da antropóloga Marta Mirazon Lahr desenterrou 12 esqueletos, mais ou menos intactos, dez dos quais tinham marcas de morte violenta, comprovando a existência de um massacre em massa. Este fato teria ocorrido há pelo menos dez mil anos.

Na bíblia encontramos farto material onde o homem protagoniza a maldade, dentre os mais comuns e mais antigos está o fato de Caim ter matado Abel (Gênesis 4:3, 4) ou mesmo dos filhos de Jacob, retratado na historia de José do Egito, onde seus irmãos antes de vende-lo tiveram a ideia de mata-lo, só não o fizeram diante do lucro eminente com a venda.

Recentemente, aqui mesmo no Brasil, mais precisamente em Jarnaúba (MG), o vigia Damião Soares, usando como arma combustível (gasolina), ateou fogo em uma creche cheia de criancinhas. Poderíamos citar casos de atentado trágicos de envenenamento de comida e/ou água, somados a outros tantos instrumentos diferentes da arma de fogo.

Logo podemos concluir que o que mata não é a arma, seja ela de fogo ou não, e sim a predisposição em causar tragédias de alto impacto. Os estudos mostram que quase sempre são nascidas em um coração cheio de ódio somado ao egoísmo em não suportar a existência de alguém ou de um pensamento diferente do seu. Soma-se isso a outros fatores que vão desde doenças mentais, ambições exageradas ou pelo simples fato de se vingarem de algo ou do próprio mundo.

Com isso não estou anulando a discussão sobre as armas. Ela deve existir sim! Até porque segurança é obrigação do Estado e não do indivíduo.  Portanto, armas não matam! O que mata é o ódio ou desprezo que certas pessoas ou grupos sentem pelos demais. O que mata é o prazer de destruir, é a atração que sentem pelo impacto da tragédia. O que mata é o protagonismo ou necessidade egocêntrica de destruir tudo aquilo que não lhes parece bom. Nestes casos, o que menos importa é o tipo de arma.

Com isto afirmo que são dois assuntos diferentes e devem ser trado e forma diferente, mas não custa lembrar também que uma boa politica educacional, justiça honesta e equilíbrio nas políticas sociais são amenizadores de problemas, inclusive para doentes psicopatas e extremistas radicais. Não acaba, mas diminui significativamente.

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