Opinião • Postado em 23-06-2014

AGRIBUSNESS - SOJA

Ovídio Girardello

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A bolsa de Chicago teve uma semana muito volátil tendo fechado na sexta-feira em pregão misto. Ocorreu queda nos meses de julho e agosto, tendo fechado para julho a US$ 14,15 e agosto a US$ 13,61 ao bushel o que corresponde a US$ 31,13 e US$ 29,94 a saca de 60 quilos para o produto FOB Paranaguá. Nos meses de setembro de 2014 a agosto de 2015 o mercado  fechou com pequena alta, mas com cotações médias  por volta de US$ 12,44 ao bushel ou US$ 27.37 a saca de 60 quilos FOB porto, o que corresponde a R$ 61,00 reais a saca de 60 quilos na cotação atual do dólar.

Como dissemos, a semana foi de alta volatilidade, motivada por correção técnica dos especuladores que buscaram realizar lucros, principalmente, liquidando posições compradas para julho/2014, já que o término dos contratos se aproxima. Embora os estoques mundiais continuem muito baixos o vencimento próximo dos contratos com vencimento em julho e agosto levou os investidores a se precaver e liquidar boa parte dos contratos comprados. O mercado entende que investimentos em contratos de curto prazo oferecem risco alto para lucro duvidoso. Claro que é melhor um pequeno lucro do que prejuízo, já que as condições climáticas americanas forçam para baixo as cotações.

Por outro lado o Departamento de Agricultura Americano – USDA- divulgou boletim dando conta que 75% das lavouras estão em situação boa e excelente. Corroborando,  agências internacionais informaram que houve realmente expansão nas áreas de cultivo de soja nos Estados Unidos.  O analista Dale Derchholz da AgriVisor LLC  de Illinois – meio-oeste americano, afirmou que a área cultivada nos Estados Unidos deve bater seu recorde com 33,59 milhões de hectares.  O Departamento de Agricultura  dos Estados Unidos – USDA, em seu último relatório havia previsto 32,98 milhões de hectares. Em 30 de julho o USDA deverá fazer novo repórter de dados.

Não bastasse a indicação de aumento de áreas, o NOAA – Administração Oceânica  e Atmosférica Nacional, que é o instituto  oficial de clima dos Estados Unidos, previu que o clima no meio-oeste americano, onde está localizada a principal região produtora, deve manter-se em condições ideais ao desenvolvimento das plantas. Confirmando-se a extensão da área cultivada e as condições climáticas, efetivamente, os Estados Unidos poderão colher os 98 milhões de toneladas previstas. Sendo confirmados estes dados, o boletim do USDA do dia 30-06, poderá volatizar ainda mais o mercado.

Por outro lado temos uma oferta retraída, com a produção brasileira, em grande parte, já em mãos das empresas exportadoras e os produtores argentinos retendo a comercialização em face dos graves problemas econômicos por que passa o País. A colheita Argentina chegou, na última semana, a 93%, de um total previsto de produção de 54 milhões de toneladas. Assim, no curto prazo, com os estoques baixos e a forte demanda, o mercado físico deverá ter sustentação nos preços. Exemplo disso é a questão dos prêmios pagos no porto de Paranaguá que até poucos dias estava negativo, hoje oferece de R$ 20,00 a R$ 30,00 a tonelada. No médio e longo prazo o mercado deverá se consolidar nas atuais cotações que giram, em média, nos US$ 12,50 ao bushel, ou US$ 27,50 dólares a saca de 60 quilos, FOB porto.

Hoje, além da expectativa de clima no hemisfério norte, os estoques mundiais de soja muito baixos, poderão oferecer bons momentos para comercialização da safra futura do produtor brasileiro.

Alguém poderá perguntar: porque alguém compraria  em momento em que os preços ficam mais altos, sabendo que o mercado deverá ter baixa com a entrada da nova safra. Ocorre que o consumidor de farelo de soja, que tem suas vacas leiteiras, ou o criador de aves ou suínos, precisa saber qual seu custo para desenvolver sua atividade e busca precaver-se para não inviabilizá-la. Da mesma forma, a indústria de refino do óleo precisa ter segurança, para poder garantir, ao atacadista, preços competitivos no mercado. A cadeia produtiva não gosta de riscos e, por isso, busca proteger-se, com a compra antecipada de seus insumos, podendo garantir, assim, ao seu cliente preços competitivos no mercado.

 No Mato Grosso a queda nos preços do soja em grão, caiu algo próximo a 2%, embora o prêmio nos portos tenha compensado um pouco a queda nas cotações que cairam de US$ 15.00  para pouco mais de US$ 14.00 ao bushel. Considerando os preços atuais ainda temos valores 5% acima de 2013, mas isto não cobre sequer a inflação.

Não é demais  alertar outra vez: como qualquer empresário o agricultor deve estar atento ao mercado para poder aproveitar os bons momentos para realizar sua comercialização.

Ovídio Girardello

Advogado- filósofo – pós-graduado em comércio exterior

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