Opinião • Postado em 03-07-2014

AGRIBUSNESS - BOLETIM USDA

Ovídio Girardello

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No dia 30 de junho o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos – USDA-  divulgou o Boletim Trimestral, apresentando  a situação das lavouras americanas e os estoques referentes ao ano agrícola 2013/2014. As consequências do referido boletim foram extremamente negativas para os agricultores brasileiros.

Em relação a soja o USDA deu conta que 72% das lavouras americanas encontram-se  em desenvolvimento bom e excelente, enquanto 23% estão regulares e apenas 5% encontram-se em desenvolvimento considerado ruim. Deste total, 10% já estão em estágio de florescimento.  Com referência ao cultivo do milho 75% das lavouras estão em estado bom e excelente, 20% em estado regular e 5%, apenas, apresentam algum tipo de problema.  Este quadro levou as grandes traders internacionais a se retraírem no mercado já que os dados apontaram para uma situação muito acima de suas expectativas.  Se compararmos os dados apresentados pelo USDA com o esperado pelo mercado teremos uma disparidade, pois que os números do USDA, para soja, em relação aos estoques americanos ficaram em torno de 700 mil toneladas mais altos que o esperado. O USDA calculou que os estoques americanos referentes ao ano agrícola 2013/14 são de 11,02 milhões de toneladas, portanto, muito próximos aos 11,84 milhões de toneladas do mesmo período do ano anterior, enquanto o mercado esperava algo próximo aos 10 milhões de toneladas. Em relação ao milho o USDA apresentou estoques de 97,8 milhões de toneladas, enquanto a expectativa era de 94,5 milhões de toneladas, portanto, 3,3 milhões de toneladas acima.  Se compararmos estes estoques com os de 1º de junho de 2013  vemos que neste ano estão 27,5 milhões de toneladas acima.

Para completar a tendência baixista o USDA projetou a área de plantio de soja em 34,2 milhões de hectares enquanto no ano agrícola de 3013/14 esta área foi de 30,9 milhões de hectares. A expectativa das traders e analistas era de que seriam anunciados 33,5 milhões de hectares.  Para o milho o USDA anunciou 37,1 milhões de hectares, número que ficou muito próximo das expectativas de mercado e abaixo do volume de áreas de 2013 que foi de 38,6 milhões de hectares.

O resultado deste boletim trimestral não poderia ser outro, senão baixa considerável em todos os meses cotados. Na segunda-feira, dia do anúncio, chegou próxima ao limite de baixa de  oscilação diária permitido. As cotações para novembro de 2014, posição mais negociada,  ficaram em US$ 11,60 ao bushel ou US$ 25,52 a saca de 60 quilos para produto FOB porto, portanto, muito abaixo dos US$ 33 de 50 dias passados.  Se levarmos em conta  que há escassez do produto, e mesmo assim as cotações estão caindo, devemos temer por patamares mais baixos quando for confirmada a safra americana.  Analisando os gráficos de análise técnica de mercado, percebemos que o novo patamar de sustentação de preços pode chegar aos US$ 12,50 ao bushel, caso se confirmem a área hora anunciada, as boas condições climáticas que darão  como resultado  a produtividade esperada. Não podemos esquecer que ainda faltam 10 semanas para que a safra americana se confirme, mas se confirmadas estas hipóteses a produção americana pode ultrapassar os 103  milhões de toneladas.  No dia 1º/07 tivemos as cotações mais baixas dos últimos 11 meses, e, conforme noticiado pela Agência Bloomberg tivemos as menores cotações desde 2011. No dia 02/07, com fundamento na oferta e demanda do mercado, as cotações na CBOT esboçaram pequena reação, mas acabou o pregão com novo recuo cotada a US$ 11,41 ao bushel, ou US$ 25.10 a saca. O mercado busca assimilar o anúncio de 34,2 milhões de hectares de plantio americano, mas não encontra sustentação e os investidores levarão alguns dias para se posicionarem novamente ante esta nova realidade. Não surgindo fato novo, a tendência é de baixa, podendo chegar ao patamar  dos US$ 10,50 ao bushel. O mercado continua em queda e chegou, no dia de ontem aos US$ 13,93 ao bushel para julho, US$ 13,14 bushel para agosto, US$ 11,80 ao bushel para setembro e US$ 11,41 ao bushel para novembro. O milho também vem trabalhando no lado negativo, sendo cotado próximo aos US$ 4,10 ao bushel ou U$S 9.80 a saca, nos meses mais próximos, para produto FOB porto.

Diante deste quadro o produtor brasileiro deve sentar novamente e reavaliar seu custo de produção para tomar a decisão para o próximo plantio, ao tempo que deve ficar atento ao mercado para aproveitar momentos especulativos para fixar sua safra.

 Ovídio Girardello

Advogado- filósofo – pós-graduado em comércio exterior e colaborador do MTPolítica.

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