Opinião • Postado em 25-06-2014

AGRIBUSNESS-BOI

Ovídio Girardello

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O mercado do boi gordo continua firme, mesmo com algum recuo na demanda nas aquisições internacionais. Em São Paulo, nesta última semana, as cotações, segundo a Esalq/BM&F, tem se mantido em R$ 122,46 a arroba.

Os pecuaristas estão retendo o boi no pasto com os pastos, ainda, em boas condições, mantendo a escala de abate dos frigoríficos apertada. Os negócios continuam em ritmo lento.

No Mato Grosso as exportações tiveram alguma redução neste primeiro semestre, embora o mercado continue aquecido com o aumento no valor de venda alcançando 25,2 % em relação a igual período de 2013, conforme dados do IMEA – Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. De janeiro a maio o Estado exportou 137,93 TEC (Tonelada Equivalente a Carcaça).

Comparando as exportações realizadas de janeiro a maio de 2013 com o mesmo período em 2014 verificamos que houve redução em volume exportado, mas aumento no valor final do produto. Em 2013, de janeiro a maio, o Mato Grosso exportou 589,71 mil toneladas de carne bovina, enquanto no mesmo período de 2014 alcançou 556,11 mil toneladas, com queda de 5,7%, conforme noticiou o IMEA. Por outro lado os frigoríficos estão com mais de 50% de sua capacidade ociosa. A menor produção de carne bovina não se restringiu às exportações. A disponibilidade de carne bovina no mercado interno também ficou reduzida em quase 9%. A consequência deste quadro foi a elevação nos preços no mercado interno, tornando o consumo proibitivo para boa faixa da população. Isto nos parece absurdo ocorrer no Estado que detém o maior rebanho bovino do País.

Enquanto isso, na Argentina, diante do aumento nos preços da carne bovina, o consumidor migrou para o consumo da carne ovina. No Brasil o consumo anual de carne ovina fica próximo a 2 quilos per capita, enquanto na Argentina chegou a marca de 25 quilos, conforme o Instituto de Tecnologia Agropecuária da Argentina – (INTA). Segundo o mesmo Instituto, através de seu técnico Domingo Aguilar, a carne ovina tem alta qualidade nutricional, sendo rica em proteínas e minerais, especialmente o ferro, o fósforo e o zinco, e a vitamina A e B1. No Brasil, da mesma forma, boa parte da população está migrando para a carne de frango, suína e peixes.

Voltando ao Mato Grosso, as exportações caíram em quase 10%, embora as receitas tenham caído menos de 9%. Em maio o Mato Grosso exportou 24,9 mil TEC (Toneladas Equivalente a Carcaça) com receita de US$ 94,47 milhões.

Embora estes números pareçam um grande avanço na liquidez do pecuarista há que se consideram que os custos também aumentaram em quase 6%, decorrentes do aumento do preço nos salários dos empregados, do aumento dos insumos e do preço dos bezerros o que representa um aumento de mais de 80% nos custos operacionais efetivos – (COE).

Por fim, o emprego de novas tecnologias na recia e engorda aumentaram em 43% o sucesso na agropecuária, com redução de áreas, manejo de pastagens e integração lavoura/ pecuária.

É preciso, ainda, consideram que de nada vale a maior produtividade se os preços são proibitivos ao consumidor. O equilíbrio entre oferta e demanda torna o mercado civilizado, permitindo ao consumidor adquirir o que precisa e ao produtor oferecer em preços que possibilitem a aquisição. De nada adiante produzir muito se o consumidor não possui condições de consumir o produzido, e do outro lado, não podemos querer que quem produz seja entidade de fins filantrópicos. Fica a pergunta: Será que a tributação não é excessiva ????

Ovídio Girardello
Advogado- filósofo – pós-graduado em comércio exterior

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