Opinião • Postado em 26-06-2014

AGRIBUSNESS - ARROZ

Ovídio Girardello

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O mercado de arroz, especialmente no Rio Grande do Sul, principal produtor brasileiro, está retraído. Os beneficiadores compram apenas o produto depositado em suas unidades industriais, motivados, especialmente pela baixa procura por parte dos atacadistas, conforme noticiou o Cepea ( Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP).

Segundo dados da Esalq ( Escola Superior de agricultura Luís de Queirós) e MB&F o mercado de arroz irrigado trabalha em baixa, pagando R$ 36,53 a saca de 50 quilos para arroz com 58% de inteiros, no rio Grande do Sul. Em São Paulo, conforme dados coletados pelo Cepea já houve queda de 7%, embora os produtores estivessem retendo a produção para obter melhores preços. Esta baixa nos preços do arroz está sendo provocada pelo baixo interesse  pelas redes atacadistas e indústrias que apostam em preços mais baixos no curto prazo.

No Mato Grosso o produtor também não encontra preços melhores diante de um mercado resistente e oferta melhor do que no ano passado. Segundo dados da CONAB houve um aumento nas áreas  no Estado na ordem de 10,8% em relação ao ano passado o que aumentou a produção para algo próximo a 605 mil toneladas de arroz. Com o aumento na produção e os eternos problemas de logística para  colocar o produto nos centros consumidores do País, o Mato Grosso, mais uma vez, amarga dificuldades na comercialização de seus produtos. Neste ano o Estado deverá produzir algo próximo a 46 milhões de toneladas de grãos. Se considerarmos que o Estado possui menos de 3,4 milhões de habitantes teremos a noção do quanto de produto deve ser levado para os centros consumidores. Aliás, este não é um problema apenas do Mato Grosso. Segundo dados do IBGE, mais de 60% da população brasileira vive a menos de 600 quilômetros do litoral. Some-se a isto as dificuldades  de logística nos transportes e a distância dos portos, sentiremos o quanto é difícil ser empresário agrícola em nosso Estado.

Os estoques de passagem do arroz em 28/02, estavam próximos a 496 mil toneladas. Somando-se a isto a produção, ainda não confirmada, de 12,63 milhões de toneladas, o que representa um número 7% a mais em relação a safra anterior, e um consumo interno de 12 milhões de toneladas, teremos uma oferta e demanda equilibrada. Ocorre que o Estado de Mato Grosso deve competir com os demais produtores, especialmente o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, estando a mais de 2 mil quilômetros do consumidor.

O Rio Grande do Sul, com queda de quase 200 quilos  por hectare, em  consequência das elevadas temperaturas,  teve na atual safra agrícola o pior resultado em produtividade dos últimos quatro anos, mas assim mesmo, deve fechar com média superior a 7.200 quilos por hectare, segundo o IRGA (Instituto Rio-grandense de Arroz).

No Maranhão os produtores conseguiram uma média de 5,5 mil quilos por hectare, graças as chuvas propícias que permitiram bom desenvolvimento das lavouras em áreas de planície alagada. Enquanto isso, um grande projeto de irrigação para o cultivo de arroz que deveria ser desenvolvido no Município de São Mateus do Maranhão, beneficiando 400 famílias, está às moscas, conforme noticiou o G1. Este projeto supriria, em grande parte, as necessidades do nordeste, evitando assim gastos públicos com subsídios de frete para levar arroz para aquela população, mas o Governo daquele Estado está deixando máquinas e equipamentos de irrigação se deteriorarem.

Os preços mundiais também se retraíram influenciados, principalmente, pela entrada agressiva no mercado pela Tailândia. Os preços mundiais deverão permanecer estáveis já que o fenômeno El Niño vem atuando favoravelmente na produção asiática.

O arroz de sequeiro, com boa qualidade vem sendo comercializado a R$ 34,00 em Sinop e, em média,  a  R$ 38,00 a saca de 60 quilos.

 

Ovídio Girardello

Advogado – filósofo – pós-graduado em comércio exterior

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