GERAL • Postado em 30-08-2017

Ex-chefe de gabinete entrega planilhas de pagamento de propina com nomes de deputados

Patricia Xavier

Da redação

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Planilhas com nomes de políticos que receberam propina na gestão do ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB), foram anexadas na delação premiada do ex-chefe de gabinete Silvio Cézar Corrêa de Araujo. O documento apontou pelo menos 23 deputados estaduais ao longo dos anos de 2012 e 2013, que receberam dinheiro para garantir apoio aos interesses do Executivo.

Assim como Silval Barbosa, Silvio César firmou acordo de delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR), em que assume sua participação em esquemas durante o governo estadual. A delação foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em depoimento, Silvio disse que o ex-governador o informou, que tinha feito um acordo com os deputados estaduais sobre o programa MT Integrado, por exigência dos próprios parlamentares, para que permitissem o andamento das obras. O acordo consistia no pagamento de R$ 600 mil para cada deputado, em 12 parcelas de R$ 50 mil.

Segundo ele, normalmente o dinheiro da propina era proveniente das obras do programa MT Integrado e era dado pelas empreiteiras, que faziam parte do esquema, ao então secretário-adjunto da Secretaria Estadual de Transporte e Pavimentação Urbana (Setpu), Valdísio Viriato.

Silvio informou que a maioria dos pagamentos era feita em dinheiro, mas também era feito em cheques. Os deputados buscavam o dinheiro no gabinete dele, e às vezes, era entregue na Assembleia Legislativa.

Nas planilhas de controle de pagamento aos deputados daquela época, apresentadas por Sílvio, aparecem os seguintes nomes: Pedro Satélite (PSD), Airton Português (PSD), Dilmar Dal'Bosco (DEM), Ezequiel Fonseca (PP), Emanuel Pinheiro (PMDB), Hermínio J. Barreto (PR), Wagner Ramos (PSB), João Malheiros (PR), José Domingos (PSD), José Riva (à época, do PSD), Baiano Filho (PSDB), Mauro Savi (PSB), Romoaldo Júnior (PMDB), Walter Rabelo (PSD), Alexandre César (PT), Ondanir Bortolini, o Nininho (PSD), Luiz Marinho Botelho (PTB), Carlos Antônio Azambuja (PP), Sebastião Rezende (PP), Luciane Bezerra (PSB), Teté Bezerra (PMDB), Ademir Brunetto (PT) e Gilmar Fabris (PSD).

Segundo o ex-chefe de gabinete, o deputado estadual Zeca Viana (PDT) não recebeu os pagamentos do MT Integrado porque o nome dele não constava na lista elaborada pelo líder do governo na Assembleia, deputado Romoaldo Júnior. No entanto, ele teria chegado a questionar Sílvio se não iria ser incluído na lista.

Silvio informou ainda que o deputado Guilherme Maluf (PSDB) não recebia dinheiro dele, porque tinha outro acerto com o ex-governador e que o deputado Nininho teria recebido apenas duas parcelas do MT Integrado porque o restante teria sido pago por meio de acerto de contas com o secretário-adjunto da Sinfra.

Outro lado

Por meio de nota, o ex-deputado estadual Alexandre César disse que não recebeu propina e que os fatos delatados "não se deram nem da forma, nem ao tempo e tampouco nos valores anunciados". Já o deputado Romoaldo Júnior afirmou que ninguém do governo lhe pediu lista ou relação com nome de deputados para que fosse facilitada a aprovação de projetos na Assembleia Legislativa e que "a verdade será revelada".

Os deputados estaduais Nininho e Wagner Ramos disseram que não irão fazer declarações sobre assunto no momento. A ex-deputada e atual prefeita de Juara, Luciane Bezerra, afirmou, por meio de nota, que o dinheiro recebido era para quitar uma dívida pessoal contraída por Silval Barbosa, como empresário, com o marido dela, o deputado estadual Oscar Bezerra (PSB), não se tratando de propina.

O atual deputado federal Ezequiel Fonseca, os deputados estaduais Pedro Satélite, Sebastião Rezende e Guilherme Maluf negam participação no esquema. A ex-deputada estadual Teté Bezerra também negou ter recebido propina e disse que a delação "é absurda, mentirosa e irresponsável".

A assessoria do deputado Baiano Filho disse que ele está viajando. A reportagem não conseguiu contato com os deputados Gilmar Fabris e Dilmar Dal'Bosco e com os ex-parlamentares José Domingos Fraga, Airton Português, Antônio Carlos Azambuja, Hermínio J. Barreto, João Malheiros, Ademir Brunetto, Luiz Marinho Botelho e com a família de Walter Rabello, que faleceu em 2014.

O ex-deputado estadual José Geraldo Riva afirmou que está tomando conhecimento da delação e que muitos dos trechos são verdadeiros, mas que não pode generalizar porque, em um determinado momento, nem todos os deputados receberam dinheiro. Riva disse, ainda, que vai continuar contribuindo com a Justiça e ratificar o que for verdadeiro.

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